7 de nov. de 2010

O temido PROJETO DE PESQUISA!!!

Tah... faz tempo, eu sei!!! Tenho muita vontade de escrever tanta coisa aqui... mas sabem como é, to no mestrado e queria contar os absurdosssssss da vida acadêmica... mas sabe aquela frase "se eu te contar eu vou ter que te matar?!" Pois bem... como eu não tenho controle de quem entra aqui, não dá pra sair matando todo mundo!! hahahahaha... brincadeirinha, gente!! É que eu tô nervosa com a minha qualificação, passei o final de semana inteiro enfiada dentro de casa, longe de tudo e de todos pra ver se eu cago escrevo o projeto de pesquisa, fora que a TPM está afetando tbm... aliás, pelo bem da humanidade, desde sexta não vejo uma viva alma!!!

Pois bem, mas o assunto não é esse... eu estou escrevendo o meu Projeto de Pesquisa e queria compartilhar com vocês algumas coisas interessantes que talvez possam ajudar!!

As dicas que colocarei abaixo foram tiradas do texto"Como elaborar seu Projeto de Pesquisa", de José Eli da Veiga, da USP.

O objetivo maior do Mestrado é demonstrar que o aluno possui:

* Conhecimento sobre a bibliografia geral da área de concentração;
* Conhecimento da bibliografia específica do tema da pesquisa selecionada;
* Capacidade de descobrir, selecionar, discutir e criticar os dados mais importantes das bibliografias estudadas;
* Capacidade de reorganizar, de forma coerente, os dados utilizados;
* Aptidão para expor com clareza o "estado da arte" do seu campo de pesquisa.

Quando o Projeto de Pesquisa estiver pronto, você perceberá que contém, no máximo, 1% de inspiração e, no mínimo, 99% de concentração.

Os ingredientes básicos de um projeto de pesquisa são:

* título;
* contextualização e delimitação do assunto (tema);
* objetivos;
* justificativa;
* revisão da produção científica já acumulada sobre o tema;
* formulação do problema;
* hipótese(s);
* descrição dos procedimentos;
* cronograma de execução;
* bibliografia.

Em relação a delimitação do assunto: Sua pretensão inicial precisa ser pragmaticamente reduzida a dimensões adequadas a dois anos de trabalho "solitário" de um aluno com pouca (ou nenhuma) experência de pesquisa. Como não há escassez de assuntos a serem pesquisados, a decisão pode envolver muitas dificuldades. A redução de uma questão ampla a um bom assunto de pesquisa pode ser muito angustiante, sobretudo para quem tem ambição holística (como é bem provável que seja o seu caso). (eu, Luara, ODEIO essa palavra holística - nada quem curte esse negócio de ser holístico e tal... mas eu substituiria esta palavra por "ambição de querer abordar tudoooooo")

Por isso:

* o assunto deve corresponder ao seu gosto e, portanto, proporcionar-lhe uma experiência psicologicamente gratificante, além, é claro, de contribuir para o avanço da ciência;
* o assunto deve ser bem adequado, tanto à sua formação, quanto ao tempo, recursos e energia que você poderá consagrar a essa pesquisa;
* o assunto deve estar suficientemente documentado. Isto é, o material bibliográfico pertinente deve ser suficiente, facilmente identificável, disponível, acessível, e, sobretudo, deve permitir uma rápida "varredura";

Quase sempre é necessário ampliar ou aprofundar suas leituras anteriores sobre o assunto para que os critérios de "corte" comecem a aparecer.

Delimitar, de fato, poderia ser, por exemplo, propor um "estudo de caso" (pesquisa descritiva), ou relatar algum "teste" (pesquisa experimental), se o acesso fosse possível.

Também é muito comum que o candidato a pesquisador resista à necessária delimitação, por considerá-la menos importante, muito despretenciosa, ou desestimulante. Nesse caso, é bem provável que perderá muito tempo até se convencer que sua opção original era genérica demais para resultar numa boa dissertação no prazo de 30 meses.

Em relação a Revisão de Literatura: a maior importância estará na comparação de documentos científicos (artigos, comunicações, entrevistas, etc) sobre o tema específico. E essa comparação deve ser organizada de tal forma que a posterior formulação do problema seja sua decorrência lógica. Em outras palavras, não se trata de fazer uma "colcha de retalhos", emendando citações dos documentos consultados, mas sim de articular idéias que conduzam à formulação do problema; idéias estas que deverão estar apoiadas nas referências científicas citadas.

A pesquisa bibliográfica sobre a qual se constrói este tópico do projeto de pesquisa não pode deixar de lado nenhuma obra importante sobre o tema específico. Mas é impossível que consiga ser exaustiva. Ou seja, a revisão de literatura do projeto de pesquisa será, por definição, exploratória. A demonstração de que o pesquisador não deixou "escapar" nenhum trabalho relevante deverá ser feita, no devido tempo, pela Dissertação. Por melhor que seja a preparação do projeto de pesquisa, é inevitável que esta ou aquela referência só seja descoberta na fase posterior (e mais longa) de execução. Ao mesmo tempo, se uma contribuição científica muito importante sobre o tema específico da pesquisa não for incluída na revisão de literatura do projeto de pesquisa, é bem provável que a proposta venha a ser considerada "imatura" pelos relatores (ou pareceristas).

Prepare-se, portanto, para passar longos dias em bibliotecas especializadas e para correr atrás de pessoas bem informadas sobre o tema. Em princípio, o seu orientador indicará centros de documentação que precisarão ser rastreados, e pesquisadores, autoridades e outros agentes que precisarão ser entrevistados.

Sobre a formulação do Problema: Um problema bem formulado é mais importante para o desenvolvimento da ciência do que sua eventual solução.

Quando o problema estiver claro para o pesquisador - isto é, suficientemente amadurecido pelo estudo da produção científica pertinente - é quase certo que poderá ser formulado como simples pergunta. "A colocação interrogativa tem a virtude de formular o problema de maneira direta". (MARINHO, Pedro (1980) A Pesquisa em Ciências Humanas, ed. Vozes, p.28.)

Se o pesquisador não consegue formular o problema central da pesquisa por meio de uma pergunta bem direta, o mais provável é que ele tenha feito uma insuficiente discussão da produção científica já existente sobre aquele assunto.

Você só poderá formular a pergunta da pesquisa se fizer uma boa revisão de literatura, refletir, discutir com o orientador, reler parte do material, esboçar algumas perguntas, submetê-las ao orientador, descartar as menos pertinentes, reformular as outras, voltar a discutí-las, e assim por diante, até se fixar numa frase interrogativa que sintetize bem o problema da pesquisa.

Sobre a(s) Hipótese(s): A hipótese consiste em supor conhecida a verdade ou explicação que se busca.

A hipótese da pesquisa é uma resposta provisória à pergunta que sintetizou o problema.

A pesquisa visará justamente procurar as evidências que permitam a confirmação, ou não, dessa hipótese (resposta provisória). Caso as evidências colhidas no processo investigativo não confirmem essa hipótese, elas certamente trarão, por si mesmas, uma nova hipótese.

Mesmo que a hipótese seja refutada, o trabalho será frutífero se o problema (pergunta) e a hipótese (resposta provisória) tiverem sido formulados sem rodeios e ambiguidades. A hipótese funciona como uma verdadeira bússola. É ela que ajuda o pesquisador a sair dos inúmeros labirintos em que infalivelmente se mete.

Por fim, É necessário, entretanto, advertir para a necessária coerência que deve existir entre hipótese, procedimentos e cronograma. Os relatores (ou pareceristas) darão muita importância a este aspecto. Será que os procedimentos descritos permitirão, de fato, testar aquela hipótese? Será que tais procedimentos poderão, de fato, ser concluídos nos prazos indicados? Há, evidentemente, uma dose admissível de incerteza. Mas os relatores serão pesquisadores experientes que não terão dificuldade em perceber incongruências metodológicas ou "chutes" sobre prazos.

Apresentei aqui alguns pontos essenciais... nós próximos "posts" falarei mais sobre outros pontos importantes (pelo menos pra mim neste momento!!)

Beijos e bom trabalho a todos!!!







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